Num vilarejo indiano, uma serpente morava em certo lugar por onde ninguém se atrevia a passar. Todos que o faziam eram mortalmente mordidos e envenenados no mesmo instante. Certa vez, um Mahatma (homem de alma elevada) passou pelo caminho, e a serpente correu atrás do sábio a fim de mordê-lo. Quando, porém, a serpente se aproximou do santo homem, perdeu toda a sua ferocidade e foi dominada pela mansidão do homem. Vendo a serpente, disse o sábio:
- Muito bem, amiga, pensas em me morder?
A serpente envergonhou-se e não respondeu. Então disse o sábio:
- Escuta, amiga; não maltrates mais ninguém no futuro.
A serpente curvou-se, mostrando que concordava. O sábio seguiu o seu caminho, e a serpente voltou ao seu lugar. Daí por diante, começou a levar uma vida de inocência e pureza, sem sequer tentar maltratar quem quer que fosse.
Dentro de poucos dias, toda a vizinhança começou a pensar que a serpente perdera todo o seu veneno e já não era perigosa. Assim, todo mundo passou a persegui-la. Alguns a apedrejavam, outros a arrastavam pela cauda impiedosamente, e, desse modo, não tinham fim os seus padecimentos.
Felizmente, o sábio tornou a passar pela estrada e, vendo como a boa serpente se encontrava ferida e maltratada, sentiu-se muito comovido e indagou-lhe qual fora a causa de tal coisa.
Ao que a serpente respondeu:
- Santo senhor, é porque não maltrato mais quem quer que seja, segundo o vosso conselho. Mas ai de mim! Eles não têm misericórdia!
Sorrindo, o sábio replicou:
- Minha cara amiga, eu simplesmente disse para não morderes quem quer que fosse, mas não disse para não amedrontares os outros. Embora não mordas qualquer criatura, podes conservá-las a uma considerável distância, com o teu silvo.
Do mesmo modo, se vives no mundo, faze-te temido e respeitado. Não maltrates os outros, mas também não se deixe ser maltratado.
(autoria desconhecida)
sexta-feira, 30 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
D. Cobra e Sr. Vaga-lume
Essa fábula de escopo é bem interessante!
Era uma vez...
A D. Cobra começou a perseguir o Sr. Vaga-Lume...
O Sr. Vaga-Lume (esperto que era) conseguiu fugir no primeiro dia; porém a D. Cobra, sendo persistente, não desistiu! Continuou tentando acabar com a vida do esperto Vaga-Lume.
Até que o Sr. Vaga-Lume, já cansado e sem forças, parou e disse à D. Cobra:
Posso lhe fazer três perguntas?
Sr. Vaga-Lume: Pertenço à tua cadeia alimentar?
D. Cobra: Não.
Sr. Vaga-Lume: Eu te fiz algum mal?
D. Cobra: Não.
Sr. Vaga-Lume: Então, por que você quer acabar comigo?
Depois de um tempo em silêncio a D. Cobra responde:
- PORQUE NÃO SUPORTO VER VOCÊ BRILHAR...
Pense nisso!
Abraços e um ótimo fim de semana a todos...
Era uma vez...
A D. Cobra começou a perseguir o Sr. Vaga-Lume...
O Sr. Vaga-Lume (esperto que era) conseguiu fugir no primeiro dia; porém a D. Cobra, sendo persistente, não desistiu! Continuou tentando acabar com a vida do esperto Vaga-Lume.
Até que o Sr. Vaga-Lume, já cansado e sem forças, parou e disse à D. Cobra:
Posso lhe fazer três perguntas?
Sr. Vaga-Lume: Pertenço à tua cadeia alimentar?
D. Cobra: Não.
Sr. Vaga-Lume: Eu te fiz algum mal?
D. Cobra: Não.
Sr. Vaga-Lume: Então, por que você quer acabar comigo?
Depois de um tempo em silêncio a D. Cobra responde:
- PORQUE NÃO SUPORTO VER VOCÊ BRILHAR...
Pense nisso!
Abraços e um ótimo fim de semana a todos...
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Clarice Lispector
ISSO É MUITA SABEDORIA
Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.
Clarice Lispector
Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.
Clarice Lispector
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